Antes de tudo, não é todo mundo que sente a tal depressão pós intercâmbio, por isso, esse post é direcionado a ajudar quem tem dificuldades em voltar à realidade sem ter crises de ansiedade e de vida. 


Faz 3 anos e meio que voltei do intercâmbio pra Alemanha, e quase 3 anos que larguei a vida de 5 anos sozinha em Florianópolis e voltei pra vida real com a família e problemas em Ribeirão Preto, mas só agora consegui aprender a VIVER de novo, e não só sobreviver (é clichê mas dane-se, é verdade). Parece muito tempo, mas acreditem, eu achava que esse dia nunca ia chegar. Pelo menos não se eu não viajasse de novo.

E mesmo assim eu hesitava, com o medo de ¨e se eu viajar de novo e for horrível?¨. Esse medo permanece, afinal, o tempo passa e eu tenho que focar no meu futuro, no meu bolso, em um mínimo de estabilidade e pensar na minha família. Pensar em ¨tacar o foda-se e viajar¨ sem pensar nessas questões, já invalidam o poder transformador da viagem dentro da minha realidade.

Depois  que eu enfrentei praticamente o que foi um parto emocional e existencial (sim, sou dramática),  tenho reconhecido que viajar por viajar talvez não resolva a ansiedade dentro de mim e que viajar por viajar sem aceitar a minha própria realidade é paradoxal em relação ao que eu defendo com unhas e dentes: explorar novas experiências e desafios; afinal, se eu gosto tanto de novidades e desafios, por que não aceitar o retorno como uma novidade e um desafio? Reconhecer o problema foi difícil, e superá-lo mais ainda, principalmente quando o medo de estar desperdiçando tempo da vida não vai embora.

 

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¨Eu não acredito que medo seja um motivador eficiente¨

 

E eu me perguntava: Como me livrar da sensação de ¨estou perdendo tempo e andando pra trás vivendo em uma realidade que não me identifico mais¨? Como fazer isso sem fugir do problema,  ou sem fazer outro intercâmbio, ou sem achar o amor da minha vida, ou o emprego dos sonhos. Como fazer com que todo o tempo vivido seja memorável, mesmo que fora da rota planejada, mesmo quando tudo está, em relação aos planos que você tinha, dando errado. Resumindo com um clichê: Como sentir realização e auto estima resolvendo primeiro o problema que está EM VOCÊ, independente de fatores externos. Essa semana continuo com as mesmas ansiedades e com os mesmos medos do mês passado, e do ano passado, e do retrasado, mas mudei as lentes dos óculos que eu usava pra ver o mundo (muito profunda e poeta só que não, hehe.) e estou aprendendo a conviver bem com a situação, comigo mesma, com as pessoas ao meu redor, com as diferenças. Hoje me sinto feliz de novo. E sem milagres ou super conquistas. E sexta vou colocar um post com a receita que funcionou pra mim.

Não é comodismo
Aprender a curtir a sua realidade não significa não sentir falta de viajar, não querer morar fora de novo, aceitar o destino e parar a luta por aqui. Claro que, se você se adaptar muito bem e não sentir mais vontade de sair, ótimo! Mas se não, a dica é a seguinte: Não adianta ficar sofrendo pra sempre. Se temos um método pra aliviar a sofrência no trajeto, vamos usá-lo. Você vai conseguir focar melhor, e as coisas vão começar a acontecer.

Se me pego melancólica, lembro que, querendo ou não, estou aqui por uma escolha. Eu tenho consciência que só o simples fato de fazer outra viagem pode não salvar a minha vida. Quando me demiti do meu emprego ano passado, saí com dinheiro suficiente pra, no dia seguinte, poder viajar e ser babá nos EUA, ou trabalhar na balada na Austrália, ou fazer um curso em Berlin. E foi aí que vi que minha depressão pós-intercâmbio não vinha só da questão ¨não tenho dinheiro e quero viajar¨.

Porque eu tinha o dinheiro, e eu queria viajar, e tudo que eu precisava era comprar as passagens e me planejar. A questão é que percebi que eu tinha um objetivo mais complexo, um foco profissional, uma meta, uma ambição, uma busca de sentido e de um mínimo de estabilidade atrelados ao desejo de viajar e ao desejo e necessidade de ter dinheiro.

É difícil mesmo viver 6 meses ou um ano cheio de intensidade, de informações e sensações novas sendo processadas, e depois ser obrigado a se adaptar a sentir os dias passarem mais arrastados e repetitivos, e a conviver com pessoas que não te compreendem tanto quanto antes. Mas lembre-se que passar pelo LIMBO, pela deprê, pela tristeza,  não é o fim do mundo. E de fato, pode ser muito bom, porque aí quando qualquer mini conquista chegar, vai parecer que você ganhou na loteria.

Quando a fase ruim passar,  e você tiver conseguido ser feliz e se estabilizar em uma situação adversa às suas perspectivas,  dificilmente você vai se deixar abalar ou sentir medo do presente com facilidade de novo. Mas não se acomode na tristeza. Continue correndo atrás das suas metas e planos (e sim, sonhos). Se você quer voltar, dê um jeito, pesquise e tente. Sempre.

Tchauzim. E não esquece de voltar sexta pra ver a receita-marota-da-cura-mágica-moderfoca-para-depressão-pós-intercâmbio, heheh.