Todos os dias eu dou uma desbitolada do trabalho pra dar uma explorada na web. Era pra eu escrever o famoso LINKS DA SEMANA hoje, mostrando links legais que encontro por aí. Mas achei um texto que representa tão bem o que muitos millennials na faixa dos 30 anos passam, que resolvi traduzi-lo aqui e deixar a indicação de outros links pra sexta.

¨ Eu sempre penso que uma das reais ironias em ser um millennial é que temos que encarar um nível sem precedências de escolhas, e ainda assim nos sentir limitados ao que parece ser um número crescente de estereótipos rasos.

A semana passada, eu fiz 30 anos, pra mim os grande 3.0 anunciavam a verdadeira chegada da vida adulta. Aos 30, eu teria uma casa, uma carreira florescendo, e provavelmente estaria casada com um bebê a caminho. Eu teria me livrado do medo e da auto dúvida que tinha me acompanhado durante a vida adulta até então. Eu estaria feita na vida.

O que essa gloriosa visão dos 30 não levou realmente em conta foi a vida, que tende a mostrar pouquíssima consideração por planos de 5 anos.

Enquanto eu me aproximava dos 30, a minha vida não poderia parecer mais diferente da que eu tinha imaginado.

Quando eu estava com 28 anos, meu casamento tinha acabado, uma mistura de escolhas e circunstâncias me levaram a deixar o cargo de comunicação que eu tinha trabalhado por todos os meus 20 anos, e eu estava lutando contra ansiedade crônica e insônia.

Enquanto eu refletia  sobre os objetivos que eu imaginava que teria alcançado aos 30, eu me sentia como se tivesse fracassado em cada métrica de sucesso que eu tinha definido pra mim.

Os últimos dois anos dos meus vinte foram tumultuosos. Os 30 deveriam significar estar com a vida acertada. Deveria significar sucesso e segurança. Definitivamente não deveria significar começar do zero em todos os aspectos.

De várias formas, eu tive sorte. As circunstâncias me forçaram a dar uma longa, honesta olhada na minha vida, e decidir o que eu queria sem ser impedida pelas forças que muitas vezes nos impedem de viver a vida que queremos – dinheiro, relacionamentos, medo. Perder tudo me deu a oportunidade de começar de novo. Eu não sei se eu teria tido forças o suficiente se o destino não tivesse dado uma mãozinha.

Como resultados das grandes mudanças dos últimos anos, eu passei um bom tempo pensando sobre o quão difícil pode ser para millennials fazer grandes mudanças – sejam pessoais ou profissionais. Como uma geração, nós morremos de medo da falha, e medos sobre não estar pra trás em relação aos outros,  mantém muitos de nós presos a carreiras ou relacionamentos que já passaram do tempo.

Eu sempre desejava cruzar com algum guia secreto que pudesse me ajudar a navegar pela vida adulta. A caça continua! Então, no meio tempo, aqui está algumas lições que aprendi começando do zero sendo millennial:

1-Medo é não ser temido:

Um dos aspectos de passar uma uma grande mudança pessoal e profissional que mais me intimidava é que eu sentia um profundo senso de fracasso. Mas o fracasso é inevitável. É parte da vida. Nós aprendemos pelas experiências e tentar  se vacinar contra as falhas provavelmente significa que você não está se permitindo abraçar a vida ao máximo

2-Não há pressa. Nenhuma  (mesmo!)

Durante os 20, eu sentia uma urgência real de completar uma lista sem fim de realizações para cumprir até os 30. Aí eu fiz 30, e percebi que a pressão à qual eu me colocava sobre era em grande parte gerada por mim mesma. Não há pressa, mesmo. Não tenha medo de correr riscos – signifique isso mudar os trilhos da sua carreira, começar  um negócio, terminar um relacionamento, ir viajar – por se sentir limitada por um prazo que exige muito de você.

3-Da onde vem essa coisa dos 30, de qualquer forma?

Eu estava falando com a minha mãe recentemente a respeito das preocupações que eu tinha sobre fazer 30 anos, e falei, meio-serio, meio zoando, que o fato de eu não ter meu próprio sofá aos 30 fazia eu me sentir menos adulta. Da onde eu tirei isso?! Não há regras a respeito do que você faz ou não deveria ter feito quando atinge determinada idade. A vida é muito mais fluída do que o que nós fazemos ela ser. Eu hoje julgo o meu senso de sucesso ao me perguntar se eu me sinto orgulhosa da minha vida como ela é, ou se eu sinto um senso de controle sobre ela, acima de perguntas relacionadas à quanto eu faço de dinheiro ou quantas peças de móveis combinando eu tenho.

4-Ninguém realmente sabe como isso tudo funciona:

Eu tenho encontrado um grande conforto no fato de que, com quanto mais pessoas eu falo sobre fazer uma grande mudança da vida como um millennial, mais eu percebo que ninguém realmente sabe o que está fazendo. Nós todos estamos descobrindo no caminho, e deveríamos nos perdoar muito mais quando as coisas não funcionam inteiramente como gostaríamos.  

5-Dar o salto é a parte mais difícil:

Confie que o resto vai funcionar. Tomar a decisão de fazer grandes decisões é de longe o passo mais assustador. Ano passado, meu namorado e eu decidimos que iríamos embarcar em uma expedição do Alaska para a Argentina para explorar algumas coisas pelas quais nós dois somos apaixonados – como os negócios são usados para o bem nas Americas. Nós passamos meses até chegar ao ponto onde realmente nos comprometemos a ir, mas uma vez que tomamos a decisão, as coisas ficaram muito mais simples. Uma vez que você dá esse salto, fazer uma grande mudança é muito mais simples do que parece. Nós todos estamos nos descobrindo no caminho, e deveria ser muito mais sobre nos perdoar quando as coisas não funcionam inteiramente como gostaríamos.  

A verdade é, todos nos temos um senso maior do que queremos, e do que vai nos permitir viver uma vida da qual nos orgulhamos, do que acreditamos ter. Esse instinto, as borboletas no estômago que você sente quanto pensa como a vida deve ser uma vez que você dá o salto. Escute isso. Está te dizendo algo. Haverá medo, e incerteza, e talvez um pouco de desconforto a curto prazo. Mas o quão maravilhoso é dar o salto e construir uma vida que é toda sua – com ou sem um sofá.

Texto original: http://suitandpie.co.uk/jocruse/