Manhattan – Ella Filtgerard

 

Sabe aquela síndrome de uma hora navegando pelo Netflix se tornar um entretenimento maior do que de fato assistir algo? Eu sofro disso, e quando acho algo muito bom fico louca para comentar com todo mundo sobre.

Agora, SEM SPOILERS, eu tenho 24 amigos no Face que assistiram essa série e eu ainda não tinha dado uma chance.

 

A série acabou ano passado, depois de 7 temporadas e lembro de muita gente compartilhando coisas e falando bem. Eu indico Mad Men pra quem gosta de séries com vendas, relações familiares complexas, sujeira, traição, todo mundo pegando todo mundo, romancinho, exposição de algumas hipocrisias sociais e, claro, criação e processos criativos. Tem todas as temporadas no Netflix, e a nota no IMDB é 8,6.

 

Recentemente um amigo me falou que essa era a série que ele estava ¨aprendendo e levando pra vida no momento¨. Ele também é do meio criativo (fotografia) e trabalha autônomo, e é uma série que fala muito sobre vendas, e que dá vários insights legais. Eu diria que é uma série que acrescenta pra todo mundo, porque mesmo que você seja funcionário em alguma empresa, ser criativo e saber vender bem qualquer ideia ou posicionar bem um argumento é sempre útil.

 

Se passa em uma agência de publicidade gigante de NY dos anos 60. Machismo a rodo, brigas de ego e personagens aprofundadas e bem construídas, daquelas que você ama e odeia todo mundo, tipo no Breaking Bad e no Game of Thrones.

 

Os pontos fortes da série pra mim:

 

  • Cases reais dos clientes da agência. Simula os brainstormings, apresentações e solução de crises com criatividade de marcas grandes como Lucky Strike, Kodak e Volkswagen.
  • Machismo nível PQP QUE RAIVA, mas é bom pra ver que há não muito tempo assim a superioridade do homem sobre a mulher e o quanto elas eram menosprezadas e reduzidas a acessório social rolava em um nível que hoje reconhecemos como absurdo (ou não), mas que ainda é muito pesado em alguns cenários.

 

madmen-temporada1

 

  • Muitos debates sobre o propósito, ética e caráter de ser um Ad MaN (publicitário) e viver pra entuchar produtos nas pessoas atingindo o âmago e desejos mais profundos delas.
      • “o que você chama de amor foi inventado por gente como eu… para vender meias.”

 

    • evolução lenta dos personagens, Você começa colocando todo mundo dentro de uma categoria, julgando mesmo, e com o tempo vai tendo altos e baixos em relação a cada um, porque eles evoluem, sofrem, tem histórias, desejos, culpa. Coisa que ensinam a criar uma empatia (o famoso se identificar e se colocar no lugar) e pensar duas vezes antes de julgar as pessoas na vida real.
    • História. Se passa nos EUA nos anos 60, Manhattan, eleições Nyxon versus Kennedy, acidente do boeing 707 (e como agências contornavam a situação), com várias imagens reais na TV. Mostra como as agências planejavam as campanhas políticas, o que acaba sendo uma aulinha de historia
    • história de novo: Guerra- vários personagens passaram pela Segunda Guerra Mundial, e a série não só faz alguns flashbacks em cenas de guerra como mostra consequências emocionais.
  • A trilha sonora s2. Acho que foi aí que a coisa realmente fez explodir uns fogos de artifício no meu coração. Eu me empolgo toda com essas músicas antigas, como a do início do post ou a do vídeo do final, e juntou com a paleta de cores e penteados e falta de tecnologia que despertou um look and feel muito bom que eu não sei bem como explicar.

 

Não é uma série que vai te deixar muito desesperado pelo próximo episódio, pelo menos não nessa primeira temporada, mas te ensina bastante coisa. Vou acabar escrevendo mais sobre por aqui. Tó uma dancinha pra ver se instiga.