Hoje acordei inspirada para escrever.

Eu brinco com meus amigos que o meu verão todo em Floripa foi como se eu tivesse entrado em um portal, uma bolha mágica e ido parar em um universo paralelo. Isso porque, durante 1 ano e três meses, sem plano e sem expectativa, mas querendo economizar dinheiro e sentir algo novo, resolvi trabalhar e morar em um hostel por meio período e continuar meus trabalhos como freelancer no outro período. O acordo inicial era ficar só 3 meses. Fiquei 15.

Agora voltei para Ribeirão Preto, temporariamente, cidade da minha família, para economizar mais dinheiro e, no meio de alguns momentos de ansiedade, muitos freelas e ocasionais corridas, eu planejo a minha viagem para a eu Europa em julho.

Vou ficar 1 mês e meio, para comemorar os 30. Comprei as passagens enquanto ainda estava vivendo na bolha mágica do hostel porque sabia que quando aquele efeito passasse, a coragem de voltar para a Europa (depois de 6 anos de espera) ia passar junto.

Caramba, como foi foda. Foi a melhor terapia da minha vida. É tão difícil a gente ver com simplicidade e sem pré-conceitos as possibilidades de ser feliz fora do que é pré-estabelecido.

Eu continuo com essa dificuldade em alguns departamentos da vida, mas ao mesmo tempo com um alívio por ter me permitido essa experiência, essa evolução, totalmente fora do meu planejamento e das minhas ambições pessoais.Foi maravilhoso ter aprendido tantas coisas que eu não esperava.

Foram 15 meses nos quais aprendi sobre comportamentos, sobre como não há regras para definir determinada cultura, sobre como eu, introvertida desde sempre, tenho um puta espírito de liderança que eu ainda não tinha tido a oportunidade de despertar como designer, sobre como pode ser bom dividir quarto com mais duas pessoas quando se tem respeito e sintonia, sobre ser feliz morando com apenas uma mala por um ano sem comprar nada de material, sobre morar com 2000 pessoas do mundo inteiro, resolver problemas de todas elas, criar conexões surreais com tantas outras e perceber o quão fucking intenso é isso…E, o principal, sobre como a vida não faz acordos. Não existem caminhos prontos e regras pré-estabelecidas pra ser feliz. E sentir isso na prática dá um alívio, e me fez, finalmente, fazer as pazes com algumas imposições que eu achava que tinha que aceitar da Dona Vida e da Senhora Sociedade, e que faziam eu me sentir deslocada. Mas no fim das contas, é uma honra ser Divergente…

Até mais. 🙂

Ah, a foto foi do meu primeiro verão trabalhando do hostel, só pra não ficar sem nada mesmo.